Open Insurance, a revolução do setor de seguros. O que vem por aí?

O setor de seguros promete dar uma virada de chave no mercado com o Open Insurance, ou Sistema de Seguros Aberto, que é um ecossistema de compartilhamento e circulação de dados por meio de APIs abertas, com consentimento do consumidor. Inspirado no modelo do Open Banking, a expectativa é tornar o segmento altamente competitivo, impulsionando a criação de produtos e serviços inovadores, a taxas mais atraentes para os consumidores.

A iniciativa é regulada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e deve beneficiar tanto o segurado, como a seguradora, multiplicando as opções de relacionamento entre as prestadoras de serviços e os consumidores. Analistas do setor apostam em uma movimentação que trará inovações por meio do uso inteligente de dados dos clientes, promovendo serviços personalizados e atraindo novos perfis ainda não explorados.

O Open Insurance permitirá compartilhar informações e dados sobre produtos e serviços de seguros, capitalização e previdência dos consumidores (quando autorizados), entre empresas de seguros, fintechs e credenciadas pela Susep.

Mas para ingressar nessa evolução, é essencial investir em novas tecnologias e infraestruturas. A Cloud deve ser o habilitador dessa transformação ao garantir inovação, escalabilidade, segurança e maior agilidade, possibilitando a criação de novas plataformas e ampliação do portfólio de produtos e serviços e a venda por meio de Marketplace e canais digitais.

Tudo isso pode ficar mais ágil por meio de parcerias com fintechs, insurtechs (startups especializadas no setor de seguros) e empresas integradoras e de tecnologia. Essa estratégia contribui para ganhar velocidade na trilha de evolução do mercado de seguros, sem perder o foco no negócio. E não tenho dúvidas de que buscar um parceiro que gerencie e atue em todas as fases dessa jornada de modernização minimiza impactos, acelera processos e traz resultados.

Nessa maratona para o novo desenho, é interessante construir e se conectar ao ecossistema de negócios para todas as modalidades de seguros, que inclua corretores, fintechs, cooperativas de crédito, locadoras de automóveis, empresas de turismo, de saúde e bem-estar e até operadoras de telecomunicações, que ofereçam serviços financeiros, para facilitar pagamentos e possibilitar financiamentos. Percebe a formação de marketplaces, extremamente atraentes para o consumidor, que levará a sua experiência a outro patamar por meio da conveniência?

Desafios do Open Insurance

O Open Insurance tem o mesmo conceito e herdou os mesmos padrões de autenticação e segurança que o Open Banking, como o framework do FAPI/CIBA. Ele enfrenta, portanto, os mesmos desafios na maior parte dos casos, como a construção de um ambiente altamente seguro e escalável para a troca de informações pessoais e sensíveis dos clientes e das empresas e as exigências de compliance da LGPD em relação à privacidade e compartilhamento dos dados.

Por serem setores diferentes, com características próprias de atuação e de perfis distintos de público-alvo, novos desafios se impõem ao Open Insurance. A área de Seguros terá de superar dois importantes aspectos: a infraestrutura tecnológica desatualizada de grande parte das empresas, que irá dificultar a integração e é essencial nesse novo desenho de mercado; e a adequação do perfil de quem vende seguros.

Muitas seguradoras já migraram para a nuvem, mas ainda preservam suas aplicações críticas sob controle em seus territórios com arquitetura híbrida. O grande problema é que, por vezes, essas arquiteturas sofrem com soluções legadas e monolíticas, que não escalam de forma adequada, com tempos de resposta insatisfatórios, e que entregam uma experiência ruim aos seus usuários. Desta forma, os clientes precisarão de orientação e apoio especializado para fazer essa atualização de maneira rápida, eficiente, segura e dentro do orçamento estimado.

Em relação ao perfil de atuação dos vendedores de seguro, o desafio é alinhá-lo ao novo mercado, mais competitivo, em que a simples apresentação de uma lista de preços praticados por variadas seguradoras não será mais suficiente para fechar negócios.

O gerente do banco, por exemplo, tem um papel consultivo, diferente do corretor de seguros, que geralmente entra em contato com o cliente apenas uma vez ao ano, próximo ao vencimento do contrato para renovação. Nos bancos, tradicionalmente a fidelização é apoiada no bom relacionamento, na excelente experiência proporcionada ao cliente e não necessariamente no menor preço de produtos e serviços. O diferencial estará no valor agregado.

Então, o discurso terá de ingressar na era da humanização, da personalização e do profundo conhecimento do vendedor sobre o produto que oferece e seus diferenciais em relação à concorrência. É o futuro inquieto, batendo à porta do presente.

E vem mais por aí. De acordo com o Bacen, os padrões tecnológicos e os procedimentos operacionais que serão adotados no Open Insurance devem garantir a integração, compatibilidade e interoperabilidade com o Open Banking. Essa integração é que irá permitir aos consumidores o acesso ao ecossistema de produtos e serviços.

É preciso, portanto, se preparar para não perder a oportunidade de ingressar de maneira assertiva nessa evolução do mercado segurador. O Open Insurance, que deu sua largada em dezembro de 2021, tem estimativa de entrar em operação em junho de 2023, com todos os seus serviços, oportunidades e novos entrantes em um ecossistema inovador e desafiante.

Por Alexandre Rici, cloud sales specialist para a Logicalis Brasil.

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