Os modelos de sistemas de compartilhamento de dados no Open Insurance

Por Estrutura Inicial Open Insurance, abril de 2026.

A implementação do Open Insurance no Brasil e no mundo tem exigido uma infraestrutura capaz de viabilizar o compartilhamento de dados de forma segura, eficiente e padronizada. Mais do que uma inovação tecnológica, esse modelo representa uma nova lógica de funcionamento do mercado, na qual diferentes instituições passam a se conectar por meio de regras comuns, sempre respeitando o consentimento do cliente e a integridade das informações. 
 
No modelo brasileiro, o ecossistema foi estruturado para permitir que Sociedades Seguradoras, Entidades de Previdência Complementar Aberta, Sociedades de Capitalização e Sociedades de Processamento de Ordem do Cliente compartilhem informações relacionadas a produtos, serviços e dados pessoais de forma controlada. Esse compartilhamento ocorre exclusivamente mediante autorização expressa do consumidor, que decide quando, com quem e por quanto tempo seus dados podem ser utilizados. 
 
Para garantir clareza, segurança e previsibilidade, a arquitetura do Open Insurance foi organizada em fases complementares, que refletem diferentes níveis de complexidade e maturidade do compartilhamento de dados. Essa abordagem incremental é adotada internacionalmente em iniciativas de finanças abertas, como forma de reduzir riscos operacionais e assegurar estabilidade sistêmica. 
 

A primeira fase contempla a padronização e disponibilização de dados públicos das instituições participantes, dentro do conceito de Open Data. Nessa etapa, são registradas APIs contendo dados sobre produtos de seguros, canais de atendimento e informações institucionais das participantes, com foco na catalogação padronizada dessas informações, o que facilita a comparação de ofertas, sem envolver dados pessoais dos clientes. 
 
Na fase seguinte, o ecossistema passa a permitir o compartilhamento de dados cadastrais e transacionais, já envolvendo informações vinculadas diretamente ao consumidor. Nesse estágio, o consentimento assume papel central, garantindo que apenas os dados autorizados sejam compartilhados entre as instituições participantes. 
 
A etapa mais avançada da arquitetura corresponde à implementação dos requisitos necessários à efetivação de serviços. Nessa fase, a estrutura tecnológica, a estrutura tecnológica do Open Insurance passa a viabilizar a realização de operações relacionadas a seguros, previdência complementar aberta e capitalização, permitindo interações como cotações, movimentações contratuais e outras jornadas operacionais entre clientes e instituições participantes. Esse modelo busca reduzir a necessidade de repetição de informações pelo consumidor e favorecer experiências mais alinhadas às dinâmicas do ambiente digital. 

Ao estruturar o Open Insurance em fases, o modelo brasileiro busca equilibrar inovação e segurança, assegurando que a evolução tecnológica ocorra de maneira controlada e alinhada às diretrizes regulatórias. Esse desenho favorece a padronização dos processos, reduz assimetrias de informação e cria um ambiente mais competitivo, no qual a qualidade das soluções passa a ser um diferencial relevante. 
 
Mais do que um conjunto de regras técnicas, trata-se de um modelo que reposiciona o consumidor no centro do ecossistema, fortalece a confiança entre os participantes e estabelece as bases para um mercado de seguros mais transparente, eficiente e orientado à livre escolha. 

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