Os desafios da implementação do Open Insurance

Por Estrutura Inicial Open Insurance Brasil, agosto de 2026.

A implementação do Open Insurance no Brasil representa um processo de grande complexidade técnica, operacional e de coordenação entre múltiplas instituições. A iniciativa não exigiu apenas construção e integração de sistemas, mas mecanismos de governança e padronização de processos capazes de garantir que participantes com diferentes estruturas tecnológicas consigam compartilhar informações de forma segura e eficiente. 

Diante desse cenário, desde seu início, em 2021, o Open Insurance vem sendo desenvolvido de forma gradual. À medida que novas fases foram implementadas, surgiram desafios distintos. Nas etapas iniciais, de fase I, os esforços estiveram concentrados na definição de padrões, APIs e mecanismos necessários para o compartilhamento de informações entre os participantes. Com o avanço da fase II, iniciada em 2022, ganharam destaque os desafios relacionados às jornadas de consentimento, à experiência do usuário e à integração entre diferentes instituições. 

Outro desafio permanente é a diversidade de realidades entre as instituições participantes. Diferenças de recursos, maturidade tecnológica e velocidade de desenvolvimento fazem com que adaptações e evoluções nem sempre ocorram no mesmo ritmo. Por isso, a padronização desempenha papel fundamental para garantir a comunicação eficiente entre os sistemas e a consistência das operações realizadas no ecossistema. 

Um exemplo prático desse cenário ocorreu durante a atualização das versões das APIs utilizadas pelos participantes. Como nem todas as instituições possuem a mesma velocidade de desenvolvimento e implementação de novas versões, foi adotado o conceito de Multiversionamento. Essa abordagem permite que os participantes mantenham, temporariamente, mais de uma versão das APIs em operação simultaneamente durante o período de transição. Dessa forma, a comunicação entre as instituições permanece preservada enquanto a migração para a nova versão é concluída em todo o ecossistema. 
 
À medida que a implementação avançava, também foram desenvolvidas iniciativas para apoiar os participantes, como o Portal do Desenvolvedor e o Mock OPIN, que auxiliam na validação de integrações, na realização de testes e na adoção das especificações técnicas definidas para o ecossistema. 

Outro aprendizado importante surgiu durante os testes das jornadas de consentimento realizados em 2024. Os resultados iniciais identificaram inconsistências técnicas, divergências na implementação dos fluxos e dificuldades relacionadas à experiência do usuário. As análises realizadas permitiram aperfeiçoar o Guia de Experiência do Usuário (UX) e contribuíram para a criação do Guia de Certificações de Jornada, fortalecendo os processos de validação e monitoramento das implementações. 

Esses exemplos demonstram que a evolução do Open Insurance depende não apenas da tecnologia, mas também da colaboração entre participantes, grupos técnicos e instâncias de governança. A construção coletiva das soluções permite transformar desafios em oportunidades de aprimoramento contínuo, fortalecendo a segurança, a eficiência e a qualidade das experiências oferecidas aos consumidores e aos participantes do ecossistema. 

Como toda iniciativa de grande escala, o Open Insurance continua evoluindo por meio de ajustes regulatórios, melhorias técnicas e aperfeiçoamento de processos. Os aprendizados acumulados ao longo dessa trajetória contribuem para consolidar um ecossistema cada vez mais robusto, preparado para ampliar as possibilidades de compartilhamento de dados e desenvolvimento de novos serviços para o mercado segurador brasileiro e para os consumidores. 

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